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23 de Fevereiro de 2020

O álcool mata cada vez mais e ainda achamos “legal”

Pedro Magalhães Ganem, Operador de Direito
há 4 anos

O álcool mata cada vez mais e ainda achamos “legal”.

O lcool mata cada vez mais e ainda achamos legal

A prova disso é que eu estava a ver os lances da rodada da Champions League no site do GE, um dos maiores portais esportivos da nossa internet, quando vi uma propaganda sobre álcool, mais especificamente sobre a cerveja, sobre o “cervejeiro”.

Bastava começar a reproduzir os vídeos dos lances dos jogos que logo surgia em cima do vídeo a seguinte frase: “O MUNDO CERVEJEIRO É MAIOR DO QUE VOCÊ IMAGINA. DESCUBRA!”.

O lcool mata cada vez mais e ainda achamos legal

Ao ver essa propaganda, imediatamente me questionei: Essa mensagem atingiu quantas pessoas? Quantos jovens menores de 18 (dezoito) anos, apaixonados por futebol, viram essa mensagem e absorveram o seu conteúdo?

Hoje, o álcool está estampado em todos os lugares, mas a TV é o seu alvo predileto.

O esporte, então, se tornou a sensação alcoólica. Esporte +cerveja = combinação perfeita. Ao menos é isso o que querem que pensemos.

Afinal, “o mundo cervejeiro é maior do que você imagina” e você deve descobri-lo (não é mesmo?!).

Futebol é coisa de homem”, logo, a propaganda da cerveja visa atingir esse público (o masculino), seja de qual idade for. Não importa se é criança. Na verdade, é até melhor que seja jovem, pois, assim, desde cedo já nasce aquela vontade de “beber uma gelada”.

Isso tudo seria interessante, desde que o Brasil não fosse um dos países que mais contabilizam mortes em decorrência do álcool.

Atualmente, o Brasil ocupa a 5ª colocação nas Américas quando o assunto é morte em decorrência do álcool, com o impressionante número de 12 mortes para cada 100 mil habitantes por ano.

As taxas de mortalidade por consumo de álcool variam entre os países: as mais altas são as de El Salvador (uma média de 27,4 em 100 mil mortes por ano), Guatemala (22,3) e Nicarágua (21,3), México (17,8) e, em quinto lugar, do Brasil (12,2 para 100 mil mortes por ano).

Só para se ter uma ideia de como esses números são alarmantes, tivemos, em 2014, 58.559 mortes intencionais violentas no Brasil (homicídios), o equivalente a 28 pessoas mortas para cada 100 mil habitantes, números não muito distantes das mortes por uso de álcool.

Lembrando que esses dados são relacionados às mortes pelo consumo do álcool e não dizem respeito àquelas mortes causadas por pessoas alcoolizadas (homicídio causado por pessoa bêbada, mortes no trânsito,...).

Pior fica quando observamos os números relativos às pessoas do sexo masculino:

Um relatório da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), lançado em agosto de 2015, aponta que, no Brasil, 73,9 homens a cada 100 mil habitantes morreram por causa do álcool em 2010, deixando opaís na terceira posição entre os países das Américas. Entre as mulheres foram 11,7 a cada 100 mil habitantes e a 11º colocação no ranking.

A situação é tão ruim, que o alcoolismo é a oitava causa de concessão de auxílio-doença, consumindo de 0,5% a 4,2% do PIB. Sem falar que o alcoolismo é o terceiro motivo para faltas e é a causa mais frequente de acidentes.

O lcool mata cada vez mais e ainda achamos legal

Não podemos mais tolerar essa farra publicitária sobre o álcool, principalmente a cerveja.

Beber não é normal. Ficar bêbado muito menos.

Temos que acabar com a boa imagem do álcool, como se beber fosse a solução dos problemas.

Ao que tudo indica, beber é o começo dos problemas.

Aí eu te pergunto: O uso, indiscutivelmente, faz mal à saúde. Cada vez mais o número de mortes cresce. O gasto público decorrente do consumo é enorme (seja para o SUS, para o INSS, para os empregadores, para a família, para a sociedade, …). Como, então, solucionar esses problemas? Será que é criminalizando a conduta?

Finalmente, aproveito para te convidar a acessar o meu blog. Lá tem textos como esse e muito mais!


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Para atingir um resultado maior e melhor, o assunto deve ser debatido e as opiniões trocadas.

Um grande abraço!

50 Comentários

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Existem milhares e milhares de pessoas que degustam o prazer de uma boa cerveja ou um bom vinho, os excessos não são maioria! Mundo chato este onde se quer colocar tudo no mesmo balaio!
Será que o mundo vai ficar tão politicamente correto que em breve seremos perseguidos pela policia ao degustar uma cerveja em um dia de calor? (ops, acho que não, pois estes mesmos politicamente corretos terão linchado os policiais até lá!) Muito em breve seremos vítimas de um mundo aceptico, nenhum prazer será permitido: Não podemos contar piada que é racismo ou bullyng, temeremos rir, com medo de sermos processados, o prazer de degustar uma cerveja artesanal ou um bom vinho será crime, a comida que tem sabor, mas engorda será banida! Grande vida hospitalar nos restará! continuar lendo

Natalia:
Com certeza não são dessas pessoas que falo. Também aprecio um bom vinho ou mesmo um whisky ao cair da tarde.
Mas não faço isso até cair bêbado ou me matar em acidentes de trânsito.
Bem, basta dar uma voltinha na Vila Madalena qualquer dia da semana, principalmente no início da noite e fica fácil saber de quem falo. continuar lendo

'O álcool mata cada vez mais e ainda achamos “legal”.'²

E mais, o pano de fundo dessa minha crítica é voltada à política de drogas e a criminalização de condutas.

O uso moderado de diversas substâncias não faz mal e milhares e milhares de pessoas usam drogas ilícitas sem que isso lhe cause maiores transtornos (tanto a ele quanto a terceiros).

Não se trata de saber apreciar uma boa cerveja, mas de incentivar o uso indiscriminado, ao ponto de termos 12 mortes para cada 100 mil habitantes.

Defender a vida; pessoas mais conscientes; pessoas mais educadas, não pode ser considerado como chatice. continuar lendo

José Roberto:

não conheço São Paulo, mas sou de Belo Horizonte, capital nacional do boteco, serve?
Creio que quanto a acidentes de trânsito, medidas drásticas podem ser adotadas, como por exemplo, a perda imediata e a impossibilidade de reaver a habilitação para quem se envolver em acidente com mortes, do jeito que brasileiro ama carro, ia pensar 200 vezes antes de dirigir depois de beber.
quanto à política de tolerancia zero ela é exagerada, apenas acho.
A questão não é demonizar o álcool, é entender por que motivo o ser humano exagera, seja no que for.
Vivemos em uma sociedade com pressões cada vez maiores. Minha mãe, que imagino deve ter aproximadamente a idade do senhor (ela tem 62, acertei no aproximadamente?) diz que na juventude dela não se bebia tanto, por que o mundo era mais tranquilo de se viver.
Então, será que a substância é que tem culpa? continuar lendo

Pedro:
Repito a pergunta: A questão é criminalizar a substância ou entender as razões de quem a consome e ajudar a mudar?
Exemplo pessoal, sou concurseira desempregada, a pressão de estudar somente, sem vislumbrar um futuro é horrivel, com todas as letras, podia fazer de mim uma alcoolatra, claro que podia! Mas que outras saidas uma pessoa nestas circunstâncias pode achar?
A questão está no indivíduo, não no produto.

Antes que me confronte com meu pensamento anti drogas psicotrópicas:

Se já temos problemas com uma, para que ampliar o rol?
2- Drogas psicot´ropicas podem desencadear serias doenças, inclusive esquizofrenia.
3- Não compreendo como um rapaz consciente como tu, que tanto te preocupa com a questão do álcool pode colocar em questão a legalização da ampliação do mal! continuar lendo

Olha, o que não da para entender é como defender umas drogas (álcool e tabaco por exemplo) e criticar outras.
Vc msm disse que o problema não está na substância e sim nas pessoas, logo, pq criminalizar?
É a minha consciência, aliada à prática penal que me fazem querer a descriminalização.
Repito, como já te disse outra várias vezes: defeder a descriminalização não é defender o consumo de drogas.
Um grande abraço! continuar lendo

Natália, você foi contraditória, repare:
"A questão está no indivíduo, não no produto."
e depois você escreve
"Se já temos problemas com uma, para que ampliar o rol?"

Ora, se o problema está no indivíduo, então não temos problemas com uma, duas ou três substâncias e sim com o indivíduo. E isso é uma verdade. Indivíduos conscientes e responsáveis não vão beber e dirigir ou se colocar em situação de risco. Acho que o rol deveria ser ampliado, principalmente com drogas com propriedades medicinais e terapêuticas, como a maconha, o LSD e a psilocibina dos cogumelos mágicos (até como forma de ampliar os estudos). continuar lendo

Primeiramente, não sou contra o uso medicinal da canabis ou nenhuma outra droga que como tal seja prescrita por médicos, dentro do tratamento de saúde.
Ademais, a legalização das drogas não acabaria com o tráfico, ou acham mesmo que os usuários iriam preferir pagar caro pela droga estatizada? continuar lendo

Concordo plenamente com o autor.
Mais ainda com Natalia. Mas apenas em parte.

O álcool é um assassino. Assim como açúcar e gordura.
Até algumas frutas e vegetais. Como a carne vermelha ou multicor.
Aprendi a beber cerveja num colégio religioso. Vinho, apreciava o de missa. Pretendia ser abstêmio. Mas em respeito ao primeiro milagre de Cristo, recuei da idéia. Não me torno islâmico, admirando o Corão, para não ser proibido de beber. Embora haja controvérsias. Dizem que não é proibido. Apenas o excesso. Nem vou aderir ao judaísmo, para poder continuar a comer porco. Quem sabe ao budismo, para levitar acima do peso da vida e da balança.

Detesto pinga, wiskye, vodca e outros destilados, que só aprecio misturados com gelo ou algo adocicado. Mas como os fabricantes gastam fortunas para tirar açúcar e água, tenho que respeitar seu esforço. Prefiro puros. Cowboy, como dizem.

Pelos malefícios do álcool, gostaria que fossem liberadas as drogas.
Nunca usei. Seria uma oportunidade de testar. Embora ficar de fogo sairia mais rápido, barato e seguro.
Acabaria com a contravenção, tráfico, quadrilhas e outros crimes.
Além de liberar boa parte das cadeias para a safra de políticos candidatos.

Não vendo outra saída, aposto num mundo asséptico, cristalino, onde nos livrássemos do corpo e nos tornássemos apenas virtuais.
Dizem que é preciso morrer para purificar a alma. Prefiro implantar um chip no cérebro, até que haja tecnologia para isolar o espírito e sediá-lo num chip de cristal. O mais puro, de preferência da Boêmia. Não boemía.

Enfim, nada é perfeito. Sem raposas, sem galinhas.
Vou quebrar o regime e tomar um vinho prá meditar o assunto.
Saudações
O Véio. continuar lendo

Natália, leia o artigo que citei no meu comentário e se ainda assim não se convencer que precisamos fazer alguma coisa, por favor evite que jovens sejam levados a achar que "beber"é legal... continuar lendo

Muito bom, Pedro! Direto ao ponto.
Como no clássico da música brasileira: "Deputados cheiram bebem e não vão para prisão"
Desde pequeno você é induzido a fumar
Induzido a beber, ouvindo a TV falar
Diga não às drogas, use camisinha e pare de brigar
Mas beba muito álcool até sua barriga inchar continuar lendo

Afinal, beber é sinônimo de status. continuar lendo

O que faz um homem chegar em casa e dar um soco em sua esposa? A cachaça, segundo os autos. continuar lendo

O álcool, nesse caso, é a válvula de escape. Provavelmente, a pessoa já é violenta e usa o álcool como forma de extravasar essa violência. continuar lendo

Isso, quando não matou alguém atropelado, no trânsito, ANTES de dar o "carinhoso soco" na esposa. continuar lendo

Ótimo texto Pedro! Eu mesmo sempre me refiro ao álcool como "droga". Beber é usar droga uai. Essa diferenciação (artificial) entre bebida, cigarro e "drogas" é maluca. continuar lendo

Claro! Não há como "defender" uma e criticar outra.

O argumento de que tem gente que bebe socialmente não funciona, pois também tem gente que fuma maconha socialmente, cheira cocaína socialmente, usa lsd socialmente, ..., ..., ...

Tudo é droga e tudo vicia, dependendo apenas do ser humano que a usa.

Afinal, não é a droga que vicia, mas o homem. continuar lendo