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15 de Dezembro de 2018

O especialista em coisa nenhuma

Pedro Magalhães Ganem, Operador de Direito
há 4 meses

Ele está em todos os lugares, em todas as áreas de atuação, em todos os assuntos: o especialista em coisa nenhuma.

Basta olhar o Facebook, ver as mensagens de Whatsapp (geralmente nos grupos) ou olhar os comentários na internet e você certamente estará diante de um especialista desses.

Caso você não conheça, essa é uma especialização que ganha cada vez mais simpatizantes pelo mundo e deve ser uma tendência para os próximos anos.

Um dos atrativos é a facilidade de se especializar, podendo, inclusive, ser em várias áreas ao mesmo tempo.

Um dos principais meios de propagação de conteúdo são os memes da internet, notícias de fontes duvidosas, além, é claro, da opiniões de outros especialistas em coisa nenhuma.

Quer se tornar um? Basta passar a fazer afirmações e conclusões sobre assuntos que você não sabe e pensa entender mais que estuda especificamente o tema.

E o melhor, como dito, o material de estudo está completamente disponível na internet, de graça! Basta ler uma notícia de qualquer portal, acreditar nela e começar a fazer comentários sem sentido.

Você pode, também, ler apenas a chamada da matéria, tirar conclusões sem ter lido o conteúdo e comentar desenfreadamente por aí, como um legítimo especialista em coisa nenhuma.

Lembre-se, para ser um especialista renomado é preciso que os comentários sejam agressivos, cheios de certeza e referenciado por links duvidosos.

Sem saber história, ensine o seu professor sobre os acontecimentos históricos; sem saber sobre segurança pública, dite regras para melhoria das nossas condições; sem saber sobre direito penal, diga que a solução é construir mais presídios.

Não pense muito, apenas fale. São atitudes assim que credenciam um verdadeiro especialista em coisa nenhuma.

Vou contar uma dica para rapidamente obter sucesso na sua empreitada: use frases prontas, jargões populares, sempre que ver, ouvir ou ler alguma coisa.

Repetir frases de efeito como “por isso que o Brasil não vai pra frente”, “o problema da segurança está na impunidade”, “lá vem o direito dos manos”, “e a vítima? ninguém fala sobre ela”, dentre outras várias existentes por aí, é o segredo do sucesso. Quando pensar que o debate está perdido, escolha uma frase mais forte do que a outra, até o oponente cansar e desistir. Se necessário, quando o estoque de frases estiver acabando, repita todas novamente. Para ter sucesso não basta apenas falar uma vez, tem que repetir exaustivamente.

E digo mais, se seguir essas dicas e se esforçar um pouco, já já comentará casos policiais no jornal, aparecerá nas rádios e fará, como especialista, análise política, econômica e tudo mais que estiver sendo noticiado.

O sucesso depende exclusivamente de você!


Aproveito para te convidar a acessar o meu blog (Para mudar paradigmas) (clique aqui para acessá-lo.

Lá tem textos como esse e muito mais!

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Para atingir um resultado maior e melhor, o assunto deve ser debatido e as opiniões trocadas.

Um grande abraço!

17 Comentários

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Excelente texto! continuar lendo

Quer apostar quanto que, em breve, surgirão comentaristas "especializados", que, ao ler este artigo, irão apontar que na realidade, o seu artigo não exprime a realidade de tais comentaristas?

Ah, e se "esqueceu" de um detalhe: sempre bom ativar o "ironic mode" ao responder a certos comentaristas e seus sempre bem fundamentados comentários, senão, costumam levar a sério, talvez por falta de capacidade (ou entendimento, quiçá), de compreensão de ironias...

Grande abraço, @pedromaganem ! continuar lendo

É muito difícil lidar com certos comentários. Nem o "ironic mode" dá conta. continuar lendo

Nós estamos nas mãos de especialistas e eu acho que isso é um grande problema, pois os especialistas se convertem em uma autoridade. Por isso, eles acabam ditando normas e padrões de comportamento e as pessoas aceitam, simplesmente por eles serem "especialistas". Elas não questionam, não pensam por conta própria. Quem sabe se esses especialistas estão a favor de um certo grupo de interesses? Nunca acreditem em especialistas. Sejam "espíritos livres", busquem novas informações e questionamentos. Numa discussão, saiba que você está lá para aprender, sendo que sua visão pode estar errada. Uma discussão, assim, deve ser basicamente uma troca produtiva de informações, sem a autoridade da convicção, da certeza. Ambos devem partir da dúvida. O aprendizado trás felicidade, sensação de comunhão com o próximo. Se você defende um ponto de vista, é incapaz de aprender, pois toda sua argumentação está condicionada! Por exemplo, se você diz que Deus criou a Terra em 7 dias e está convicto disso, nossa discussão nunca será promissora. Por tal motivo, a convicção nega o espírito de inquirir. Estava conversando outro dia com uma pessoa e, na cabeça dela, usuários de maconha são assassinos, estupradores, doentes e etc, e nada do mundo é capaz de mudar sua visão sobre isso.

Mudando de assunto, pois estava refletindo comigo mesmo, os atuais partidos políticos não representam o povo e a reforma trabalhista é um exemplo claro disso. Devemos criar, nós do povo, um partido político que represente o povo e fazer um trabalho de conscientização da população, para destruir esse status quo que está aí. Nós do povo que somos o poder e nós temos o poder de ir ao Congresso Nacional. O STF não representa o povo, o Congresso Nacional não representa o povo sim uma minoria. Na verdade, eles são elites, mamam em regalias!! Nós temos o poder e uma reforma drástica deve ser feita. Procurando espíritos inquietos para conversar comigo sobre isso! continuar lendo

Excelente.

E a questão do atual cenário político é como conseguir reverter essas organizações criminosas que se passam por partidos políticos (e integrantes) e possibilitar uma efetiva representação social.

Sem falar do problema do "poder" dado ao homem. Muitos fraquejam com o menor sinal de "poder" e logo mudam de "convicção". continuar lendo

Eis o perfil atual da grande maioria dos brasileiros conectados às redes sociais. Todo mundo opina sobre tudo. Nada, nadinha passa pelo crivo do desconhecido.
Parabéns pelo texto que por sinal abre alternativas para outras discussões. continuar lendo