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26 de Setembro de 2018

Os perigos dos discursos armamentistas

Pedro Magalhães Ganem, Operador de Direito
há 23 dias

A "liberação" da posse e/ou do porte de arma de fogo é um dos assuntos mais debatidos na atualidade e existem alguns perigos nos discursos (pro) armamentista que, na minha visão, precisam ser abordados.

Já falei sobre a posse e o porte de arma de fogo em outros textos, tanto com relação a minha opinião contrária ao discurso armamentista quanto com relação a questões teóricas, como a diferença entre posse e porte, a mudança legislativa no crime de posse ou porte de arma de fogo de uso restrito, dentre outros.

Neste texto o objetivo é analisar dois discursos armamentistas e contrapô-los com dois (dentre vários) casos reais que tive notícia.

Os discursos a serem analisados são: "Armar o 'cidadão de bem' é garantir a ele o direito de defesa."; e "Bandido bom é bandido morto.".

Inclusive, temos um candidato à Presidência e vários outros espalhados por aí na disputa por cargos do legislativo que usam esses discursos como o mote da campanha eleitoral, encontrando eco em parcela da população.

Acho que não é só comigo (outras pessoas também devem pensar assim), mas sempre que ouço/leio esses discurso fico a me questionar como será a identificação do "cidadão de bem" armado e do "bandido" armado.

Farão um sinal luminoso que identificará o "mocinho", diferenciando-o do "vilão"?

Ou, ao verem uma pessoa armada vindo em sua direção, perguntarão com antecedência se ele é um "cidadão de bem" ou primeiro reagirão (à bala) e depois que a vida alheia se for buscarão verificar quem era essa pessoa?

"Cidadão de bem" x "bandido", além de serem rótulos totalmente descabidos, são duas faces da mesma moeda. Como diferenciar um do outro?

Tenho certeza que os mais radicais e apressados na interpretação do texto já pensaram (ao ler o questionamento acima) que "é muito fácil diferenciar o cidadão de bem do bandido, pois bandido é quem comete crime e cidadão de bem é quem trabalha de sol a sol, batendo lage, pegando 47 conduções para ir e voltar do trabalho, que vai a pé para o trabalho, caminhando 72 horas por dia para chegar, que paga seus impostos, ... O cara que escreveu esse texto é muito burro! Ou tá se fazendo de sonso aí na sua cadeira, no ar condicionado, totalmente fora da realidade, defendendo bandido."

Só que não é bem assim, né?!

Imagine você, autointitulado "cidadão de bem", com autorização para portar legalmente uma arma de fogo. É fim do expediente, o trânsito está caótico e, de repente, surge um indivíduo correndo, com arma em punho, na direção do seu carro. Qual será a sua provável reação como "cidadão de bem"? Se "proteger" e alvejar o "bandido" que corria armado em direção ao seu carro, não é?

Depois de alvejado e morto, constatou-se que o "bandido" era um "cidadão de bem" e que estava se "protegendo" de outro "bandido".

"Nossa, Pedro, não viaja! Isso é impossível! Só vai poder ter uma arma quem fizer exames de aptidão técnica e mental, treinamento, ...".

Será que vai mesmo? E mais, mesmo que tudo isso seja efetivamente exigido, existe treinamento que ensine a identificar "bandido"?

O melhor exemplo disso que estou falando são esses dois casos que foram noticiados: "Cabo é morto por PMs após ser confundido com assaltante, em Fortaleza"; e "Policial civil morre após ser confundido com ladrão e baleado por bombeiro".

No primeiro caso, mais recente, um policial militar reagiu a um assalto e, quando outros policiais o viram armado, atiraram contra ele, pensando que era um "bandido" armado. Vejamos o que diz a notícia:

Um cabo da Polícia Militar do Ceará morreu após ser baleado por outros PMs que o confundiram com um assaltante, na noite desta terça-feira, em Fortaleza. A vítima chegou a ser socorrida para o Instituto Doutor José Frota (IJF), mas não resistiu aos ferimentos.

[...].

Nas proximidades, uma composição do Policiamento Ostensivo Geral (POG) ouviu os tiros e se dirigiu até a rua onde o PM estava, no bairro Parangaba da capital cearense. No entanto,chegando no local, os policiais se depararam com o cabo segurando sua arma, enquanto corria em direção à viatura. Por confundi-lo com um assaltante, dispararam contra ele.

[...].

No segundo, um policial civil investigava a prática de um crime, quando um bombeiro, perseguindo um "bandido", após uma troca de tiros, pensou que o policial civil (que estava a trabalho) era o "bandido" e o matou:

O crime ocorreu por volta das 16h quando teria ocorrido um suposto tiroteio. Na confusão, uma mulher foi baleada. Um bombeiro, que estava de folga, passava pelo local e foi atrás de algum suspeito.

No mesmo momento, um policial civil estava na região investigando o roubo de carros.

Imagens de câmeras de segurança mostram o policial civil andando na rua à paisana. Em seguida, um carro preto passa pelo local, onde estaria o bombeiro. As imagens não mostram, mas no fim da rua o policial civil é baleado. Ele tenta correr, mas acaba caindo no chão.

Como acreditar, então, que armar a população é trazer segurança? E nem preciso falar que os casos acima demonstrados envolveram exclusivamente pessoas que, pela função que exercem, possuem (ou deveriam possuir) melhores condições técnicas, físicas e mentais para enfrentar situações de risco e, quando necessário (e não a toda hora) utilizar a arma de fogo. Se com eles não dá certo, imagine com um "cidadão de bem"?

Para encerrar, um último discurso armamentista: "O 'bandido' vai pensar 2x antes de praticar um assalto, pois não vai saber se a vítima estará ou não armada".

Na verdade, sem muitas delongas, a frase certa é "O 'bandido' NÃO vai pensar 1/2 vez antes de ATIRAR NA VÍTIMA DE um assalto, pois não vai saber se a vítima estará ou não armada".

Armas não são o caminho, não se iluda.


Aproveito para te convidar a acessar o meu blog (Para mudar paradigmas).

Lá tem textos como esse e muito mais!

Gostou do texto? Recomende a leitura para outras pessoas.

Comente também! Mesmo se não gostou ou não concordou.

Para atingir um resultado maior e melhor, o assunto deve ser debatido e as opiniões trocadas.

Um grande abraço!

43 Comentários

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"Armar o 'cidadão de bem' é garantir a ele o direito de defesa."
-> Sim, como o Estado não pode não vai defender CADA um dos mais 200 milhões de cidadãos em 100% do tempo, nada mais justo que permitir que o indivíduo o faça, caso assim desejar.

"Bandido bom é bandido morto."
-> Discurso errado, bandido bom não existe.

"fico a me questionar como será a identificação do"cidadão de bem"armado e do"bandido"armado.
-> Mas a é muito simples. Se a pessoa NÃO foi condenada por crimes, em particular com o uso de armas, então é um cidadão de bem. O que não pode é achar que todos são potenciais marginais e por isso ninguém pode ter armas.

" Farão um sinal luminoso que identificará o "mocinho" , diferenciando-o do "vilão" ? "
-> Na verdade é o contrário. Hoje já somos um marginal ou um potencial marginal, a menos que um delegado diga que não é e por isto pode ter a arma.

" Cidadão de bem "x" bandido ", além de serem rótulos totalmente descabidos, são duas faces da mesma moeda. Como diferenciar um do outro?"
-> Respondido acima. TODOS deveriam nascer cidadão de bem, mas no Brasil de hoje, nascemos potenciais assassinos, exceto quando um delegado diz "não, você não é um potencial assassino e pode ter arma".

"posse/porte de arma de fogo deve ser revisto pelo Legislativo e não pelo Executivo. Se no papel de legislador não conseguiu, será no executivo que conseguirá?"
-> O Estado apenas pode RETIRAR da população o que a sociedade entender não ser bom. Do contrário, a população tem liberdade de fazer o que bem entender. Aliás, o Referendo feito foi desrespeitado na cara dura.

Permitir a população ter armas NÃO é para resolver o problema da segurança pública, mas para resolver o problema do indivíduo, no momento que o crime ocorrer E, PRINCIPALMENTE, caso ele queira. Arrastão ocorre porque as chances de ter um cidadão com armas beira a zero. Invade-se prédios e faz a limpa porque as chances de reação armada é nula. Ou seja, o governo é falho na segurança e ainda garante ao marginal que se não houver policial perto não haverá confronto.

Os casos que você cita podem ocorrer? Oras, claro que sim. Você citou DOIS casos onde armas foram utilizadas e acabou com um inocente morto. Porém há outros em que salvou a vida das pessoas. Aliás, será que o Brasil antes do Estatuto do Desarmamento, há uma década atrás, era como você diz? Era este bang bang, briga de trânsito armada, vizinhos mostrando armas para provar quem é mais forte... Não, não era. Nem de longe era assim. Aliás, uma das poucas mudanças no Estatuto que se quer, é que o porte seja concedido de forma CLARA e OBJETIVA, sem que um delegado negue de forma subjetiva. continuar lendo

Ia dizer exatamente o mesmo Edu, perfeitas palavras!

Hoje temos só bandidos e milhares de reincidentes armados, ao contrário dos que não cometeram crimes e estão em dia com seus deveres, vai ser mais fácil identificar assim, principalmente porque muitos que estão na profissão vão pensar muito mais antes de cometer seus delitos, pois saberá que ao invés de ele matar (o que é mais comum) ele poderá levar um tiro e ser morto, ai sim eu quero ver os direitos humanos defender os cidadãos que se utilizam da arma para a verdadeira legítima defesa. continuar lendo

Esses casos "isolados" tendem apenas a crescer cada vez mais.

"Cidadão de bem" armado, até que se identifique como tal, será tratado como "bandido", é óbvio, principalmente pelo prazer e necessidade que temos de apontar e separar quem é um e quem é outro.

Ou você conseguirá, de pronto, saber que uma pessoa com a arma na mão é boa ou ruim? Vai pagar pra ver? Nos casos que eu trouxe, as autoridades competentes não conseguiram. O "cidadão de bem" conseguirá?

Acho difícil. continuar lendo

Perfeito seu comentário!

Há muito tempo se escuta essa cantilena que desarmar ou deixar de armar a população seria a solução. Não é. Tirar as armas do cidadão de bem (e quanto a esse conceito, Edu Rc já esclareceu) é o caminho para a dominação doutrinária da esquerda que infesta as faculdades de ciências sociais e humanas ou do crime organizado (ou ambos).

Sobre a revisão da legislação de posse/porte de arma de fogo, penso que o presidente pode ter a iniciativa, conforme art. 61 da CF. Certamente é mais fácil emplacar uma lei quando se é presidente do que quando se é parlamentar. Claro que, em ambos os casos, isso se torna mais difícil com um Congresso povoado de canhotos.

Sou A FAVOR DA LIBERAÇÃO DO PORTE DE ARMA DE FOGO para cidadãos honestos. Qual o conceito de "honestos"? Depende. Mas certamente aquela gente que ostenta fuzis em bailes funk ou que assaltam as pessoas na rua não o são.

Argumentos para desarmar o povo com base na morte de inocentes por meio de armas de fogo sempre existiram e existirão. O fato é que a possibilidade de ter uma arma afasta sim o bandido.

Aquele caso da policial que matou aquele vagabundo na porta da escola em SP foi o exato retrato disso. O marginal escolheu como alvo a escola na véspera do Dia das Mães, porque pensava que só haveria mães e crianças indefesas. Se lascou porque tinha uma mãe armada e não pensou duas vezes. Mas essa dúvida só sanaremos se formos ao inferno questioná-lo.

Outro ponto. Quando se fala em permitir o uso de armas pelo cidadão não se fala só em pistolas e revólveres. Também existe a possibilidade de armas de cano longo. Obviamente que o porte ostensivo de armas longas não pode ser permitido, embora traficantes o façam. continuar lendo

"Esses casos"isolados"tendem apenas a crescer cada vez mais."
-> Será? Até 2006 não crescia como você diz acredita. Com base em quê você diz que irá aumentar? E mais, ainda que aumente, cada um que responda pelas ações tomadas.

"Cidadão de bem" armado, até que se identifique como tal, será tratado como "bandido", é óbvio, principalmente pelo prazer e necessidade que temos de apontar e separar quem é um e quem é outro."
-> Se você acha que será visto como bandido por ter arma, não tenha, é opcional e não obrigatório. Acha que seu amigo tem arma e isto o expõe a risco desnecessário? Não fique próximo do seu amigo. Me proibir de ter porque você acha que é um perigo, me soa meio autoritário, principalmente quando o Estado não faz a parte que lhe cabe.

"Ou você conseguirá, de pronto, saber que uma pessoa com a arma na mão é boa ou ruim? Vai pagar pra ver? Nos casos que eu trouxe, as autoridades competentes não conseguiram. O "cidadão de bem" conseguirá?"
-> Sim, pago para ver. Tanto que sou contrário ao Estatuto do Desarmamento.

Entendo que sua preocupação é causar vítimas e tal, mas esta preocupação apenas aumentou o número de mortos, pois marginal não vai deixar de ter armas e usá-la sempre que quiser. Tratar a todos como possíveis marginais não ajudou.

@newtoncabraldealbuquerque
" Obviamente que o porte ostensivo de armas longas não pode ser permitido, embora traficantes o façam. "
-> Não vejo motivos para serem restritas ao cidadão de bem ou caso permitido de portá-la de forma ostensiva, pelo mesmo motivo que você explanou: marginal o faz. Qual o problema do cidadão fazê-lo? continuar lendo

Pois é Edu,

Os discursos de @pedromaganem a favor de manter o desarmamento não se sustenta, em uma país que o crime e as mortes por arma de fogo só aumentaram, logo, como o cidadão de bem não possui arma, é justamente a parte que esta a morrer, pois não consegue se defender por outros meios efetivos.

Muitos países estão com armas liberadas a anos e não é um rodeio ou são tidos como primatas, pelo contrário, todos já andam mais espertos e cautelosos em tratar e lidar com as outras pessoas, o que inibe o ser humano a maioria das vezes de se extravasar e exagerar é o medo, isso é fato.

Portanto, desarmamento somente aumentou a violência em nosso país, precisamos então mudar a regra de cabeça para baixo para ver aplicabilidade e resultado prático, e não imaginar que se todos fossem kamikazes a ponto de sair atirando por discussões.

Hoje temos medo de sair de casa independente do horários pois ser roubado virou rotina e roubar virou profissão para os desonestos e criminosos de carteirinha. continuar lendo

Não estou proibindo ninguém de fazer nada, não tenho capacidade e competência para isso.

Estou apenas trazendo o tema para debate, nada mais. continuar lendo

Edu Rc

Armas curtas geralmente têm alcance eficaz/efetivo (capacidade de atingir exatamente onde se apontou) de 25 metros. A partir desse ponto, o tiro deriva para a direita e para baixo e a chance de atingir o que não se pretendia é enorme.

Armas longas costumar alcançar com efetividade 600 metros. Do mesmo modo, a partir dessa distância tende-se a atingir o que não se deseja.

Armas de fogo são concebidas para defesa pessoal ou operações/combate. Entendendo que o cidadão honesto deveria portar arma de fogo para defesa pessoal, não faz sentido portar arma longa, pois as ameaças são a curtas distâncias. Se as ameaças estiverem longe, deixam de ser objetos de defesa pessoal e passam a ser responsabilidade do poder público em atividades operacionais de combate ao crime.

Por isso, penso que o porte ostensivo de armas longas não deve ser permitido, como regra. O alcance e o poder letal são muito maiores do que os das armas curtas e não servirão para o propósito defensivo. Lembrando que o disparo de arma para fins ofensivos deve ser feito pelo agente público dentro de um contexto operacional.

Armas longas devem ser permitidas para agentes públicos no exercício da função. Pessoas portando armas longas que não sejam agentes públicos devem ser sumariamente abatidos, embora não haja previsão para isso (e nem haverá). continuar lendo

@ziha @newtoncabraldealbuquerque

Quanto ao nobre edu, acredito que guarde a razão em todas as suas palavras. Quanto ao colega Newton preciso fazer uma ponderação quando ao seu posicionamento a respeito das armas longas - a arma longa realmente possui um alcance maior, mas nada muda que a natureza de uma ameaça a 10 metros ou a 500 é a mesma, ou seja, uma ameaça. Afirmo ainda que confrontos de 30 metros são totalmente possíveis e não há arma curta, mesmo que de calibre de alta potência (.357 -precisão até aprox. 18-20m), que garanta a efetiva defesa, ainda que o defensor seja um sujeito com alta perícia em tiro. Resumindo as armas de calibre longo oferecem menos riscos que a de calibre curto pelo simples fato de sua alta precisão, aliados ao stopping power, bastando somente 1 acerto para reduzir ou anular a ameaça de pronto. Caso tenha dúvidas consulte os resultados da restrição de calibres em Portugal - Spoiler: os calibres baixos permitidos resultam e maior número de mortos devido a quantidade de disparos necessários para cessar a agressão ou acertar o alvo. continuar lendo

De novo? Até quando continuarão com essa ladainha? Quantos artigos com essa mesma temática você terá que escrever para entender que o direito de defesa é inato de qualquer ser humano e que nem você e nem o governo tem nada a ver com isso? Em todos eles você foi sumariamente refutado e contraposto, com números, com fatos e com a realidade nua e crua.

Será que não cansa dessa falácia? Parem de tentar regular as condutas alheias e de querer impedir que nos defendamos dos criminosos que vocês defendem.

Não quer ter uma arma, não compre. SIMPLES! continuar lendo

Primeiro, o que escrevo ou deixo de escrever não é da conta de ninguém. Se agradará a todos ou não, menos ainda.

Quanto a deixar ou não deixar vc ou quem quer que seja andar armado, não me compete. Tá na lei e é ela que deve ser cumprida. Se quiser, pq se não quiser tb nada impede.

Eu, na figura de cidadão, tenho o direito de defender aquilo que acredito correto para o bem da sociedade que faço parte. Assim como vc.

E pelo nível do debate parece que ainda precisamos de mtos outros textos como esse. continuar lendo

Não é da conta de ninguém até querer impor a sua visão para outrem. A partir daí, torna-se um problema de ordem intrusiva na vida alheia.

"Tá na lei e é ela que deve ser cumprida"

Lei essa que 64% dos brasileiros rejeitaram em referendo cujo resultado foi jogado na lata do lixo. Lei essa que mesmo exigindo critérios e estando estes satisfeitos, pode o delegado simplesmente negar o pedido com base em juízo de valor pessoal.

No mais, estas falácias de que nos tornaremos um bang bang me dão preguiça. Já nem me dou ao trabalho de refutar esse tipo de asneira. Já o fiz muitas vezes em textos com este tema, alguns seus, inclusive. Creio que tu não tenha nascido pós 97 ou pós estatuto do desarmamento.

O nível do debate, infelizmente, é raso. Não o fosse estaríamos a discutir o aumento explosivo dos homicídios com e sem arma de fogo no país do desarmamento civil onde ocorrem 175 homicídios por dia!

Mas não, estamos lendo aqui puro exercício de numerologia e mentiras do tipo "vamos virar o faroeste", isso no país onde até 1997 portar arma de forma irregular nem crime era, armas e munições eram vendidas em shoppings, e até o meio de 2004, quando o estatuto passou a viger, tínhamos o direito de pelo menos reagir à injusta agressão.

Mas hoje nem isso temos mais, devemos morrer calados e pronto, e o bandido ainda encontra respaldo jurídico e filosófico no discurso que tu apoia.

É uma lástima. continuar lendo

Impor o que a quem?

Escrevi um texto com a minha visão sobre o assunto, a MINHA visão sobre o assunto.

Isso é impor?

Se for, numa interpretação inversa, vc defender o porte de armas é uma imposição da sua vontade.

Mas não é bem assim, né (ou é?)?! continuar lendo

Pedro.
Como sempre, trazendo para a discussão assuntos polêmicos e de interesse geral.
Claro que armar o cidadão não é solução. É assim como "bandido bom é bandido morto" poderíamos dizer "cidadão bom é cidadão desprotegido e calado".
O estado não cumpre seu papel em oferecer segurança ao cidadão.
Assumida essa posição, só resta ao cidadão se proteger. E assim, um erro vai criando outros, mas para onde correr se as coisas não mudam nunca?
Discursos eleitoreiros como o do Alkmin dizendo que reduziu o numero de latrocínios, como se um latrocínio fosse uma mercadoria e que deveríamos aceitar como "normal" que alguns milhares de pessoas fossem assassinadas anualmente nesse país.
Falta lei e ordem. Falta justiça. Falta presença do estado. Falta justiça social. Falta emprego. Falta educação de qualidade.
Sobram bandidos. Que mais se poderia esperar?
Talvez seja apenas mais uma utopia acreditar em armas para combater violência. Talvez seja mais um disparate provocado por um sentimento de revolta que cresce dentro de nós, povo brasileiro.
Mas é nosso direito sobreviver. É nosso direito defender nossa família.
Assim como era antigamente, no sombrio passado que não nos abandona.
Quando não podemos contar com ninguém, melhor que estejamos preparados. Já que estamos sendo condenados à morte por um estado omisso que parece se perpetuar (basta assistir ao horário político e já perceberemos que nada vai mudar...) que tenhamos uma força, mesmo que mínima, a mais nas mãos.
Uma arma para combatermos bandidinhos de quinta categoria, mas que entretanto estão armados e matam com facilidade, porque os grandes bandidos desse país, continuam à solta, cada vez mais elegíveis, cada vez mais fortalecidos pela impunidade. continuar lendo

Você está certo.

Só fico imaginando o que acontecerá na hipótese de armar uma população amedrontada, transformando a arma em um símbolo de confiança, segurança, força e poder.

Mudando o pouco o foco, é interessante perceber como os políticos se apropriam de jargões populares para fins de promoção eleitoral, manipulando friamente seus eleitores, com mentiras e promessas impossíveis de serem cumpridas.

E o pior é como fazemos questão de acreditar e insistir nessas mesmas figuras de sempre.

Ex.: posse/porte de arma de fogo deve ser revisto pelo Legislativo e não pelo Executivo. Se no papel de legislador não conseguiu, será no executivo que conseguirá?

Enfim. continuar lendo

Fica difícil saber qual será o resultado.
Mas estamos em um país cuja maioria quer eleger para presidente um condenado por corrupção, que ainda poderá ter sua pena agravada em face de outros processos aos quais deverá responder.
Somos apenas uma Venezuela melhorada, mas ainda com as quatro patas afundadas na ignorância política. continuar lendo

"Fica difícil saber qual será o resultado."
-> Não acho. Basta ver como era o Brasil antes de 2006, quando o Referendo sobre armas foi desrespeitado e o Estatuto do Desarmamento foi colocado em prática. continuar lendo

Crescemos muito em violência e ignorância de lá para cá, por isso também minha observação, Edu.
Um revolver ou uma automática não nos trará muito conforto quando estamos sendo mortos por fuzis e metralhadoras. Mas deve ajudar em algo.
Eu sou e sempre fui contra o desarmamento da forma como foi imposto, de forma ditatorial, em desrespeito total ao plebiscito. Mas veja só quem foi o grande líder do desarmamento: Renan Calheiros! continuar lendo

O povo adora um tipo desse, que repete jargões populares (tanto no caso do candidato preso quanto no do solto, depende do "lado").

E não importa o quanto esteja demonstrado que eles são despreparados, as pessoas insistem e até mesmo defendem, como se fosse alguém íntimo.

Deve ser tipo sadomasoquismo. Vai entender. continuar lendo

Texto muito fraco, com puro achismo.

Primeiro, os EUA, que não é o país mais seguro do mundo, porém o mais armado. 270 milhões de armas registradas e um índice de homicídios muito inferior ao Brasil.

Em qual país o autor do texto ficaria mais tranquilo com seu filho ou filha na rua?

Outrossim, o efeito da arma é mais psicológico, porquanto ao saber que qualquer do povo pode estar armado, certamente o bandido pensará duas vezes antes de tentar roubar alguém na rua.

Por outro lado, aqueles que cometerem excessos devem ser punidos, simples assim. Proibir algo pensando em situações excepcionais é simplesmente ilógico.

Ademais, se efetivamente estiver preocupado com mortes, devemos proibir piscinas e carros porque são as principais causas de morte de crianças, no Brasil http://criancasegura.org.br/dados-de-acidentes/.

Mas não adianta, ao que parece, o autor do texto defende uma ideologia a qual todos nós sabemos. continuar lendo

Não dá para comparar o incomparável.

Em nossa sociedade, na nossa realidade, a liberação da arma de fogo apenas aumentará a quantidade de latrocínios e homicídios.

É como uma bola de neve. As pessoas se armam, os crimes violentos (com morte) aumentam, as pessoas se armam ainda mais e passarão a reagir (com o emprego de arma de fogo) a qualquer possibilidade, mesmo que mínima, de ser vitimada.

Essa é a minha visão sobre o assunto, o que não impede você e mais ninguém de ter outra visão sobre o mesmo assunto.

E mais, o JusBrasil é um espaço livre para a publicação dos mais variados temas. Há tempos estudo e escrevo sobre as ciências criminais. Sinta-se à vontade para compartilhar com os leitores os seus textos com as suas ideias. continuar lendo

Quando o assunto é armas, nunca se pode comparar, né?Já quando é aborto e drogas, aí os USA sempre surge como argumento no debate.

Quanta demagogia... continuar lendo

@williamasilva

Se as pessoas comparam, não significa que eu compare.

Trabalho em cima da realidade brasileira e não da realidade de outro país.

Portanto, não coloque tudo dentro do mesmo saco.

Ah! Adotei a política de não debater com pessoas que usam perfis não identificáveis, escondidos atrás de nomes e imagens (ou ausência delas) que não condizem com a realidade, como o seu. A gente nunca sabe com quem tá falando (se é com um humano, com um robô, com um perfil comprado/fake, ...) e isso só prejudica atingir os meus objetivos com os textos.

Boa sorte na sua empreitada e que tenhamos uma realidade menos violenta. continuar lendo

@pedromaganem

"Em nossa sociedade, na nossa realidade, a liberação da arma de fogo apenas aumentará a quantidade de latrocínios e homicídios."

Como você afirma? Qual é a relação entre violência e arma? Qual estudo de campo o senhor realizou? Com base em que o senhor faz essa afirmação?

Uruguai, longe de integrar o primeiro mundo, tem mais armas por habitante que o Brasil, nem por isso o Brasil é mais seguro e tenha índice de homicídio menor.
Aliás, como o senhor explica o aumento do número de homicídios após o estatuto de desarmamento? A promessa à época seria que estaríamos seguros.

Fico preocupado com tantas armas assassinas que possuem vida própria, escolhem suas vítimas e disparam sozinhas. São as armas que matam ou criminosos que a portam para roubarem um celular? Por que roubam celular? Porque têm a certeza da impunidade e de que a chance de um cidadão estar armado é mínima.

Se o senhor estiver tão preocupado com mortes, milite contra piscinas, carros e bebidas, pela sua lógica elas matam tanto quanto armas.

Só alguém muito inocente ou mal intencionado acredita mesmo que a liberação do porte de armas provocará uma corrida armamentista, porquanto neste país as pessoas sequer têm condições de prover o sustento da família, imagine se terão tempo de passarem pelo procedimento de aptidão técnica e psicológica.

Há tempos o senhor escreve sobre "ciências criminais", impressão minha ou está tentando usar argumento de autoridade? Quais são seus trabalhos, métodos, etc.
Independente dos trabalhos elaborados por você, este texto não é científico, mas apenas sua opinião sobre determinado tema, no entanto, caso não queira ler opiniões contra sugiro que deixe de publicar ou realize um trabalho técnico. continuar lendo

Não sei qual o problema, não citei nome algum.

E sobre a identificação do perfil, certamente não é um robô que digita. Já me identifiquei anteriormente, mas mudei. Se isso for motivo para não debater mais, paciência. Sou do tempo em que se rebatem os argumentos e não se ignora ou se ataca quem o faz com o argumento coringa de "não respondo fake".

Fakes são os perfis criados há horas atrás e invadem o site para defender Lula, como acontece em artigos pontuais. Nem eles ficam sem resposta com base nesse argumento seu. Mas paciência.

Nunca exigi respostas de ninguém, e certamente não deixarei de comentar seus artigos em função disso. A opção é sua.

Boa tarde. continuar lendo

Reparou, Jorge, que as conclusões que você afirma serem minhas, na verdade, são suas conclusões?

Você conclui coisas para mim.

Já escrevi o texto (esse e outros) e manifestei a minha ideia.

Não está satisfeito ou não concordou? Tudo bem, é o seu direito.

Quanto a armas e violência, existem diversos estudos, dos mais variados, demonstrando a exata relação entre elas. Na internet mesmo você consegue achar. Só tome cuidado para não acreditar em notícias falsas.

Mesmo assim não está satisfeito ou não concordou? Novamente, tudo bem, é o seu direito.

Por acaso não quer escrever algo sobre isso, demonstrando a sua discordância e os seus argumentos pro armas. O espaço está disponível para isso. Utilize-o, assim como eu faço. continuar lendo

@williamasilva

Adotei a política de não debater com pessoas que usam perfis não identificáveis, escondidos atrás de nomes e imagens (ou ausência delas) que não condizem com a realidade, como o seu. A gente nunca sabe com quem tá falando (se é com um humano, com um robô, com um perfil comprado/fake, ...) e isso só prejudica atingir os meus objetivos com os textos. continuar lendo

Fique à vontade, @pedromaganem. O meu nome você já conhece, e se frequentasse este site há mais de 3 anos, talvez pudesse lembrar da minha foto pessoal no avatar. Ou apenas não lemre mesmo.

Enfim, como disse, opção sua. continuar lendo

"Quanto a armas e violência, existem diversos estudos, dos mais variados, demonstrando a exata relação entre elas. Na internet mesmo você consegue achar. Só tome cuidado para não acreditar em notícias falsas."

Pedro, eu citei fonte (http://criancasegura.org.br/dados-de-acidentes/), no entanto, você não forneceu deixou de coligir aos autos um único estudo que demonstra a suposta "exata relação entre elas".

"Só tome cuidado para não acreditar em notícias falsas." Quanto a isso, já estou vacinado porque não costumar buscar respostas em notícias na internet, sou mais afeto aos livros.

Obrigado, cuidado para não disseminar informações falsas ("existem diversos estudos, dos mais variados, demonstrando a exata relação entre elas"). continuar lendo

Eu conheço esses estudos que citei, tanto feito no Brasil quanto em outros países, como EUA.

Não são notícias falsas. Mas, se você vai acreditar ou dar credibilidade a eles, é outra coisa.

O fato de você não concordar com isso não significa que não exista ou que sejam notícias falsas.

Caso não conheça sobre o que estou dizendo, procure saber.

Quanto a sua tentativa de equiparar arma de fogo a piscinas, carros, ..., entendo como uma tentativa descabida de comparar o incomparável.

Dizer que piscinas matam crianças e por isso devem ser criminalizadas é desconsiderar que crianças morrem em piscinas por acidente (culpa). Arma de fogo, via de regra, mata por dolo, ação direta, direcionada para um determinado fim, morte da vítima.

São condutas totalmente opostas e excludentes. continuar lendo