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18 de Novembro de 2018

O crime não perdoa

Pedro Magalhães Ganem, Operador de Direito
mês passado

Mévio era um adolescente com pouco mais de 16 anos.

Sua rotina era quase sempre a mesma, estudava de manhã e passava as tardes soltando pipa.

Em um determinado momento da vida, sabe-se lá qual foi a hora exata que o caminho desandou, Mévio começou a andar com uma galera barra pesada.

Certo dia se viu transportando 15kg de pasta base de cocaína para uma pessoa que conheceu nessa turma.

O serviço era "simples e garantido". Bastava buscar uma mala na rodoviária e em troca teria uma grana "boa", além de uma inesquecível noite de sexo com uma das mulheres do grupo.

E lá foi Mévio, pensando em como gastar o dinheiro e como seria o sexo de mais tarde.

Ao chegar na rodoviária, logo viu a pessoa com a mala que precisava pegar.

Eles nem se olharam ou se falaram, um passou a mala pro outro e seguiram direções opostas.

O coração estava a mil por hora, Mévio até suava de tanto nervosismo.

Nessa hora ele já tinha esquecido do dinheiro e do sexo. Pensava apenas no risco de ser preso.

Tudo que ele queria era chegar logo ao destino e se desfazer da maldita mala com drogas.

Mas no meio do caminho, já próximo do local combinado para deixar as drogas, a polícia aborda Mévio, apreende a droga e ele é autuado em flagrante pela prática de ato infracional análogo ao crime de tráfico de drogas (art. 33, Lei 11.343/06).

Para a sorte de Mévio, ele era um adolescente, primário, com residência fixa, o "crime" foi praticado sem violência ou grave ameaça, sendo reintegrado à família, ou seja, foi colocado em liberdade pouco tempo depois.

Aqueles foram os piores dias para Mévio, tudo que ele queria era esquecer o que passou e seguir em frente, ter uma nova vida.

Conheceu pessoas e ouviu histórias que não mais queria lembrar.

Só que Mévio se esqueceu de um pequeno detalhe, o crime não perdoa. Ao ser preso, Mévio perdeu uma grande quantidade de drogas e causou prejuízo a quem pagou por elas.

E essa dívida, mais cedo ou mais tarde, vai ser cobrada, de uma forma ou de outra.

Dito e feito, passados alguns dias da soltura de Mévio, um dos integrantes da organização criminosa (que era a dona da droga que Mévio "perdeu" ao ser preso) aborda o adolescente quando ele saía da escola e fala: "Bora, moleque, o patrão quer falar com você!".

De frente para o "patrão", Mévio ficou sabendo que estava devendo ao tráfico e que teria que pagar o prejuízo.

Dessa vez, para compensar, o "serviço" era roubar um carro (modelo específico) que, após ser clonado, seria utilizado para o transporte de grande quantidade de drogas.

A única opção era "aceitar", pois a recusa provavelmente significaria a sua morte.

Mévio, coitado, nunca tinha pegado em uma arma de fogo, até aquele dia.

Na hora combinada, Mévio se encontrou com outro indivíduo que também participaria do crime e recebeu dele um revólver calibre 22, devidamente municiado, além de ouvir a seguinte frase: "Vê se não treme, menor. Se precisar usar é só apontar e puxar o gatilho sem dó!"

Ele olhou para a arma e logo a colocou na cintura, subindo na moto em seguida.

Ao visualizarem o veículo desejado, desceram rapidamente da motocicleta e logo que Mévio apontou a arma e anunciou o assalto, foi atingido por três disparos de arma de fogo que partiram de dentro do automóvel e morreu naquele exato momento, sem nem sequer ter chance de terminar a frase "é um assalto!".

Mévio, um simples jovem que nem mesmo conseguiu completar o ensino médio, já foi morto, pois o crime não perdoa.

Esse, obviamente, é um caso hipotético (mas não inverídico) e tenta demonstrar como o tráfico de drogas é o que de mais grave existe em nossa sociedade, responsável diretamente pelos altos índices de violência e insegurança que presenciamos.

Acabar com o tráfico de drogas é salvar a vida de vários jovens, inclusive a de Mévio que, por uma decisão mal tomada, se viram envolvidos na perversa e inescapável teia do crime.


Aproveito para te convidar a acessar o meu blog (Para mudar paradigmas).

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Para atingir um resultado maior e melhor, o assunto deve ser debatido e as opiniões trocadas.

Um grande abraço!

12 Comentários

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Sim, o mais correto seria Mévio jamais se envolver com pessoas dessa índole e principalmente jamais querer um "dinheiro fácil", que é um mal em muitos desses casos que param na cadeia, por querer ganhar vantagens, precisam ver que não existe dinheiro fácil, mas sim o dinheiro suado e trabalhado que milhões e milhões de brasileiros saem de casa as 05:00 da manhã, trabalham até 18:00 (e muitos que estendem sua jornada chegando até 18 horas por dia, os impossibilitando de estudar, mas não de ganhar seu dinheiro honestamente) e na sequência buscam exaustos aprender algo na faculdade, chagando a dormir certa de 4 horas por noite e abarrotados de contas e responsabilidades, mas não pendendo para o "dinheiro fácil" que poderiam conseguir. continuar lendo

Antes a questão se resumisse só a escolhas. continuar lendo

Mévio, que triste né. Achou que poderia assaltar e até matar a vítima para pagar uma dívida que ELE fez, por ESCOLHA e VONTADE própria. Achou que poderia transferir para outro as responsabilidades do caminho que ELE escolheu. Só deu um azar de encontrar alguém que podia se proteger do criminoso Mévio...

Mévio, se tivesse optado por trabalhar e estudar, não teria sido morto. Mévio, se tivesse optado por QUALQUER caminho que não fosse o crime, não teria sido morto.

Felizmente o bem triunfou sobre o mal. O bom triunfou sobre o mau. Felizmente a vítima permaneceu viva. continuar lendo

É muito além de simples escolha. continuar lendo

Foi uma simples escolha: Buscar uma mala que sabia ter drogas e trocar por uma noite de sexo e uma boa grana. Cite o que mais está envolvido. Porque do momento que a pessoa decide buscar uma mala que sabe conter drogas, que sabe que é ilegal o transporte deste produto e escolhe o correr o risco por uma noite de sexo e uma boa grana, como dizer que não foi uma simples escolha? continuar lendo

É Edu, não passa de uma ESCOLHA e também a possibilidade de ganhar uma "grana fácil". Lavar roupa ou lajear uma casa não querem né. continuar lendo

@davidfont2016

Pois é David, é muito fácil e simples culpar tudo e todos para simplesmente ignorar o indivíduo.

Quando saí da escolha individual, sempre pergunto e fico sem resposta: nesta coisa de "é muito além de simples escolha" só vale quando se trata de tráfico, assalto, latrocínio ou podemos colocar políticos que desviam dinheiro público? continuar lendo

Não queria parecer cruel, mas "acabar" com o tráfico?... Se os que se beneficiam dele estão no mais alto escalão da elite no mundo todo?... continuar lendo

Esse realmente é o problema e o motivo mor para a descriminalização. continuar lendo

Papai e Mamãe de Mevio são os unicos responsáveis pelo que ocorreu com este menor. continuar lendo

E Mévio tem pai e mãe? continuar lendo