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13 de Dezembro de 2017

Número de suicídios de agentes penitenciários no estado de SP aumenta em 2017, diz sindicato

Até setembro, 7 agentes se mataram, contra 5 em todo ano de 2016; funcionários em torres e muralhas são preocupação, diz sindicato. Secretaria de Administração Penitenciária afirma promover campanhas de prevenção.

Pedro Magalhães Ganem, Operador de Direito
há 2 meses

Por Tahiane Stochero, G1 SP

13/10/2017 07h57 Atualizado 13/10/2017 14h16

Sindicato dos agentes penitencirios mostra preocupao com crescente nmero de funcionrios de presdios cometendo suicdio no Estado Foto DivulgaoSifuspesp

Sindicato dos agentes penitenciários mostra preocupação com crescente número de funcionários de presídios cometendo suicídio no Estado (Foto: Divulgação/Sifuspesp)

Números do Sindicato dos Agentes de Vigilância e Escolta Penitenciária de São Paulo (Sindespe) apontam aumento de suicídios de funcionários de presídios do estado em 2017 em relação aos três últimos anos, desde que o levantamento começou a ser feito pela entidade.

Até setembro já foram sete suicídios, contra cinco em todo o ano passado (aumento de 40%). O número de assassinatos de agentes penitenciários foi menor: um neste ano contra cinco em 2016.

Em 2015, a entidade contabilizou dois suicídios, dois acidentes, seis homicídios e mais uma tentativa de assassinato. Há três anos, em 2014, no primeiro ano de contabilidade dos dados pelo sindicato, não houve nenhum suicídio, mas oito assassinatos e mais uma tentativa de homicídio.

Dois dos suicídios em 2017 ocorreram na capital paulista: um dos agentes trabalhava no presídio de Parelheiros, na Zona Sul, e outro no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, na Zona Oeste da capital.

Também cometeram suicídio agentes que atuavam nas penitenciárias de Reginópolis, próximo a Bauru; dois que trabalham na penitenciária de Potim, no Vale do Paraíba; um em Franca, próximo à cidade de Ribeirão Preto; e em Americana, na região de Campinas.

Mortes de agentes penitenciários

Cresce número de profissionais no Estado de SP que se matam

Fonte: Sindicato dos Agentes de Escolta e Vigilância Penitenciária de SP (Sindespe)

Torres

Em dois dos casos registrados neste ano, a morte ocorreu na própria casa do agente. Segundo William Nerin , diretor do sindicato dos agentes penitenciários, grande parte dos funcionários que se matou neste ano trabalha nas torres dos presídios.

“A maioria deles são das torres. Eles acabam ficando sozinho em um lugar com armas, por horas, sem direito a intervalo. Nos carros de escolta, normalmente o agente está com outros três companheiros, pode conversar. Já na torre, há um isolamento e nem sempre a escala de intervalos para descanso é cumprida, para que o agente possa relaxar e descansar da pressão que cai sobre ele nesta função”, aponta Nerin.

Dentro da torre os agentes possuem três armas: uma pistola, uma arma longa (carabina de calibre 12 de munição de borracha, e um fuzil ou outro tipo de arma longa).

Em 2016, um agente de 27 anos e se matou na muralha da penitenciária de Araraquara. Segundo o sindicato, Rodrigo Valerio Torres tinha acabado de voltar de licença por problemas psicológicos. “Ele chegou para trabalhar e mandaram ele para a torre de segurança da base. Ele pegou a sua arma, subiu para a torre e, nos primeiros minutos, matou-se”, afirmou Nerin. “Nas torres eles ficam sozinhos por turnos de 5 horas seguidas às vezes, porque não há efetivo suficiente”, disse o diretor do sindicato.

Outro caso emblemático de suicídio ocorreu em novembro de 2015, quando o agente Ricardo Nunes, que tinha um cargo de chefia, perdeu o posto que acumulava havia quatro anos. Ao chegar em casa, ele matou a mulher e se matou.

Penintenciria de Mongagu SP Foto Reproduo TV Tribuna

Penintenciária de Mongaguá, SP (Foto: Reprodução / TV Tribuna)

Problemas mentais

Questionada pelo G1 sobre os casos, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) afirma que acompanha, desde 2015, “os dados de suicídio entre os servidores e desenvolve campanhas de prevenção, para eliminar o estigma em torno do assunto, sensibilizar quanto aos fatores de risco e proteção, estimular a busca por apoio psicossocial e melhora da qualidade de vida”.

O Sindicato dos Agentes Penitenciários, contudo, reclama que há apenas três pessoas responsáveis por este apoio em algumas regiões do interior de São Paulo, sendo insuficiente o trabalho junto aos profissionais que atuam em unidades prisionais.

Relatório elaborado pelo sindicato com dados do Departamento de Perícias Médicas Estado de São Paulo mostra, segundo o órgão, que mais de 6,7 mil servidores foram afastados da pasta por problemas de saúde (o que representaria 27% do total dos servidores da Secretaria de Administração Penitenciária), sendo 2.982 deles por transtornos comportamentais e mentais.

A Secretaria de Administração Penitenciária diz que as informações do sindicato não procedem e que os afastamentos por problemas de saúde no ano passado foi de 11,44% do total de funcionários do sistema penitenciário. “Se afastaram para tratamento de saúde, por transtornos mentais e comportamentais o equivalente a 3,66% do total geral da categoria, e não 3 mil como citado” pela entidade, afirmou o governo do estado.

A secretaria salienta ainda que criou centros de qualidade de vida e saúde para os servidores e que incentiva as comissões internas de prevenção a acidentes das unidades a promoverem palestras de atenção à saúde mental e prevenção ao suicídio.

Falta de agentes

Em maio, o G1 divulgou que um relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou que os presídios do Estado de São Paulo possuem um agente para cada 10 detentos, enquanto que a média nacional é 7,61 presos por agente de custódia.

A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) estimam que a proporção ideal seria de um agente penitenciário para cada cinco presos.

Para tentar manter o controle das unidades mesmo com a ausência de agentes, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, sancionou em 6 de outubro uma lei que regulamentou uma espécie de “bico oficial” para os agentes de escolta e vigilância penitenciária. A partir de agora, agentes que atuam em presídios do estado internamente, nas muralhas ou nos deslocamentos de detentos poderão trabalhar nos dias de folga sendo pagos pelo estado.


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12 Comentários

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Preocupante. continuar lendo

Isso demonstra como os problemas do sistema prisional vão muito além de quem está preso e como temos que dar mais atenção a isso. continuar lendo

Sistema prisional?
Não sabia que tínhamos um...
Pedro, mal deixamos para trás a era dos calabouços...
Com o que mesmo que nossos digníssimos parlamentares estão se ocupando nesses últimos tempos? continuar lendo

Ele existe. Precário, sucateado, cruel, violento, ..., mas existe. E atinge direta e indiretamente a todos, quem está preso, quem trabalha nele, quem está do lado de fora, ... continuar lendo

José, preocupante é que nós deixamos ao menos 7,5% dos nossos rendimentos na mão do Estado para depois termos que ver isso ai. Lembre-se que o preso não fica sem seu colchão, comida, tratamento médico (ainda que estético) e por ai vai. O coitado que ganha pouco para vestir uma farda preta e encarar o que de pior há na sociedade, só ganha do Estado seu salário e nem sempre em dia. continuar lendo

Será que está na hora de mudar para tecnologia e video monitoramento? Se estes agentes públicos sofrem de depressão e ameaças, logico que podem vim a cometer suicídio.Quanto as estruturas das prisões, deveria ser mudadas de fato, utilizando as tecnlogias de video monitoramento e sem contato fisico com nenhum agente.Celas automáricas, camaras de segurança em todas as partes, vigilância em torno dos núcleos.Acompanhamento psicológicos dos agentes com treinamento e programas de cargos e salários. continuar lendo

Todo o tipo de estudo é válido, mas nem sempre as conclusões obtidas são válidas, no sentido de poderem ser usados como diagnóstico do problema.

Me parece que é o caso aqui.
Muito fatores precisam ser avaliados.
Por exemplo, não se pode dirigir a conclusão para os fatores de falta de agentes e tempo de trabalho nas torres.

Os exemplos "emblemáticos" oferecidos, por si mesmos, desmentem esses motivos.
No de Araraquara o suicida matou-se 5 minutos depois de iniciar o trabalho (não por ter ficado lá muito tempo).
No outro, o agente matou-se depois de perder um cargo de chefia.

Outros fatores importantes que não podem ser deixados de fora:
a) As pessoas que se candidatam para exercer a função de agente penitenciário o fazem por vocação?
Talvez seja justamente a falta de perspectiva, talvez a própria imagem distocida e baixa estima que levam a essa escolha.
Talvez muitos pensam que não conseguirão mesmo suportar o trabalho, mas fazem o concurso achando que será uma forma de entrada na "carreira pública".
Ou seja, os problemas que levaram ao suicídio foram causados pela profissão ou já estavam lá (e, ao contrário, a própria profissão é decorrência deles)?

b) Estudos feitos em vários países do mundo mostram que existem elevadas taxas de suicídio nas profissões relacionadas com segurança.
Os estudos apontam que o principal fator para essa taxa maior que as demais profissões é a disponibilidade de armas letais.
Ou seja, o pensamento suicida ocorre de forma mais frequente do que se pensa, na população em geral, em todas as profissões, mas esse impulso encontra meio imediato de efetivação quando uma arma está disponível.

A gente aqui (no Brasil) precisa se acostumar a fazer diagnósticos e tomar decisões administrativas e políticas públicas com base em estudos. Isso é ótimo. Mas não se pode definir conclusões e começar a "tomar providências" com base em avaliações superficiais.
As avaliações devem olhar todos os ângulos, considerar todas as implicações importantes. Fazer análise critica,inclusive a respeito do próprio estudo. continuar lendo

Acredito que deve haver uma pressão muito grande por parte de quadrilhas, exigindo favores e benefícios à custa de ameaças ao funcionários e às suas famílias. Ache que essa pressão chega ao limite do suportável. Há pesquisa a respeito? continuar lendo